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Sector do petróleo e gás   29/09/2008


Cotações em queda

As cotações das companhias petrolíferas e de gás caíram com a forte queda do preço do petróleo nas últimas semanas. Porém, o recuo do petróleo deve ser relativizado – em 2007, o preço médio foi de 72 dólares. O nível actual, a rondar os 100 dólares, é confortável para as petrolíferas, mas as perspectivas de crescimento da produção e a subida estrutural dos custos parecem mais problemáticas. O sector está correcto.

Fim da “era dourada”?
Nos últimos anos, as companhias petrolíferas privadas apenas apresentaram volumes de negócios e lucros recorde por causa da escalada do preço do barril de petróleo. De resto, a tendência não é muito positiva. As empresas têm dificuldades em aumentar os níveis de produção e de reservas, ao mesmo tempo que registam uma subida dos custos (matérias-primas, mão-de-obra, fiscalidade, serviços petrolíferos).

Com efeito, as reservas mundiais de hidrocarbonetos diminuem progressivamente. As reservas de petróleo correspondem a 40 anos de produção e as de gás a 65. Ainda que os progressos técnicos, a melhoria das taxas de recuperação dos jazigos existentes, o desenvolvimento de hidrocarbonetos não convencionais e as novas descobertas possam alargar este prazo, as perspectivas de crescimento da oferta são muito reduzidas.

Companhias privadas como a Exxon, Royal Dutch Shell, BP, Chevron e Total têm agora acesso a menos de 20% das reservas, contra mais de 80% nos anos 1970. A Exxon, que é líder mundial, tem acesso a apenas 2%.

Ao longo dos anos, a relação de força com os países produtores inverteu-se. Companhias nacionais como a Aramco na Arábia Saudita ou a Gazprom na Rússia adquiriram progressivamente experiência suficiente para explorarem os próprios jazigos. Por isso, as companhias privadas foram forçadas a aceitar condições contratuais menos favoráveis, sob pena de serem excluídas do país. Por exemplo, recentemente, a Exxon preferiu sair da Venezuela.

Além disso, as companhias nacionais também começam a desenvolver-se fora das suas fronteiras – é o caso de companhias chinesas e indianas em África. Se necessário, recorrem a grupos de serviços especializados em domínios como a geofísica, a actividade sísmica ou a perfuração.

Gestão prudente
Neste contexto de acesso limitado a recursos finitos, as companhias petrolíferas moderaram os investimentos nos últimos anos, recordando a queda do preço do barril para 10 dólares no início de 1999. Em termos reais, as despesas com a exploração de petróleo não aumentaram entre 1998 e 2006.

Além disso, as companhias privilegiaram a distribuição de liquidez pelos accionistas, através de generosos dividendos e compra massiva de acções próprias. Em 2007, a remuneração ao accionista por parte da Exxon e a BP equivaleu a 8% da capitalização bolsista.

O recuo do preço do barril de petróleo nas últimas semanas comprova a validade desta estratégia. Assim, as companhias não se encontram numa situação de risco de sobreinvestimento, caso se verifique uma queda acentuada da cotação do “ouro negro” (devido, por exemplo, a uma recessão profunda).

Por outro lado, as companhias petrolíferas devem preservar as reservas, apesar do contexto menos favorável, já que o futuro do petróleo continua promissor. Segundo a OPEP, o petróleo satisfará 36,5% das necessidades energéticas em 2030, face aos actuais 40%.

Além da melhoria das taxas de recuperação dos jazigos existentes, as companhias concentram-se noutros tipos de hidrocarbonetos não convencionais e noutras energias onde possam aplicar a sua experiência, igualmente com bom futuro (exploração de jazigos em águas profundas, gás natural liquefeito, óleos pesados ou areias betuminosas). Apesar da exploração e transformação ainda ser cara, a rentabilidade dos investimentos realizados mantém-se confortável face aos actuais níveis do preço do petróleo.

O grupo francês Total disse recentemente que o barril de petróleo a 80 dólares permitirá um retorno “razoável” do investimento feito nos seus projectos, acrescentando que a exploração dos óleos pesados no Canadá é exige um preço próximo dos 90 dólares.

Embora não se possa excluir um recuo temporário, o preço do barril deverá manter-se num nível elevado a médio/longo prazo. A oferta é limitada e a procura mantém-se sustentada, impulsionada pela China e Índia. Além disso, a OPEP parece determinada a manter esse nível de preço.

Por outro lado, embora as energias renováveis não sejam uma grande ameaça (2% das necessidades energéticas em 2030, segundo a Agência Internacional de Energia), as petrolíferas estão bem posicionadas para voltar a investir.

Conclusão e conselhos
As companhias petrolíferas e de gás privadas são hoje confrontadas com vários desafios e as suas perspectivas de crescimento estão em declínio. As empresas preparam-se para o pós-petróleo. Por agora, não é possível avaliar a pertinência de cada estratégia, nem qual vencerá.

Os investimentos nas energias renováveis são actualmente muito limitados, mas as companhias petrolíferas e de gás estão bem colocadas para aproveitar essa oportunidade. Por sua vez, o recuo do preço do petróleo parece-nos temporário.

Em geral, o sector está globalmente correcto, mas alguns títulos estão baratos e merecem o conselho de compra: BP, Chevron, ENI, National Grid, Royal Dutch Shell A e Repsol YPF.



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Cotação
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