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SAG
Sector automóvel europeu   10/04/2006

SECTOR AUTOMÓVEL EUROPEU

Desde Janeiro de 2005, o índice do sector automóvel europeu ganhou 36%. Um desempenho que excede a valorização de 27% do DJ Stoxx 50, o índice de referência das Bolsas europeias. Na origem, está o início de diversas reestruturações. Mas a selectividade continua na ordem do dia. Recomendamos Peugeot, Renault e Volkswagen.

 

Afastado das fusões

Enquanto em vários sectores da economia as empresas apostam nas sinergias que advêm de uma dimensão maior, o sector automóvel está, por agora, afastado desses movimentos de consolidação, muito por culpa do fracasso das últimas tentativas de fusões e aquisições. Deste modo, a DaimlerChrysler acaba de vender a sua participação na Mitsubishi e o Smart continua a ser uma incógnita, o futuro da Saab no seio da General Motors está posto em causa, enquanto a Jaguar continua a ser um "peso morto” para a Ford. Do outro lado da barricada, a Toyota, a Honda e a Porsche sempre recusaram adquirir outras marcas, optando pelo crescimento orgânico. Contudo, uma política de volumes elevados, na condição de os controlar, pode ser um trunfo, uniformizando o que os clientes não vêem (motor, …) e diferenciando o que vêem (painel de instrumentos, carroçaria, …). Partilhar poucos componentes pesa na rentabilidade, mas o inverso torna os modelos indiferentes e penaliza as vendas (o que se tem verificado na VW).

 

Novas administrações…

A valorização do sector automóvel, desde 2005, explica-se, em parte, pela chegada, quase em simultâneo, de novas administrações a diversos construtores, como a Renault, a Volkswagen (VW) ou a DaimlerChrysler, que rapidamente manifestaram a sua vontade em avançar com reestruturações. Confrontadas com a debilidade das vendas e a queda da rentabilidade num mercado cada vez mais concorrencial, estas administrações mostram-se mais voluntariosas que as precedentes. Porém, os resultados ainda não estão à vista. A título de exemplo, a margem operacional da divisão automóvel da Renault passou de 4,3%, em 2004, para 2,2%, em 2005, e estimamos que, em 2006, se situe nos 1,8%, devido ao desinteresse dos clientes pela sua gama.

 

… mas que medidas?

As medidas de reestruturação são clássicas: em torno da redução dos custos de produção (VW, DaimlerChrysler) ou no desenvolvimento da gama para assegurar o crescimento das vendas (Ford, Renault e BMW). A novidade está ao nível da focalização na produção automóvel que se avizinha. Assim, a VW anunciou a venda da locadora de viaturas Europcar a um preço muito bom e estuda vendas na área dos componentes. A Nissan, aliada da Renault, irá vender a sua filial de camiões Volvo e a actividade de autocarros e camiões da Daimler, assim como a da Fiat (Iveco), poderão conhecer a mesma sorte. Estas operações nos pesos pesados não nos surpreendem tendo em conta os investimentos necessários para respeitar as normas ambientais, que se esperam mais severas nos próximos anos.

 

SECTOR AUTOMÓVEL EUROPEU
(Índice Dj Stoxx Auto&Parts)

 

 

 

Problemas estruturais

As medidas de recuperação iniciadas pela maioria dos construtores têm por objectivo a melhoria da rentabilidade. Mas estamos ainda longe dos objectivos a que se propõem e são vários os desafios que se lhes deparam.

· Concorrência: deverá continuar a aumentar. Por um lado, na conjuntura actual, o mercado automóvel assemelha-se a um jogo de soma nula. Ou seja, as vendas obtidas por um construtor são feitas à custa dos outros. E como os construtores não querem perder quota de mercado, estão dispostos a “quase tudo”. Com consequências na rentabilidade. Por outro lado, os construtores asiáticos continuam a desenvolver a sua capacidade de produção na Europa de leste para dotar o mercado ocidental com modelos fiáveis e que respondam à procura, como os 4x4, um segmento negligenciado pelos construtores europeus. Deste modo, a guerra dos preços, positiva para os consumidores, continuará a pesar na rentabilidade dos construtores.

· Sobrecapacidade: a guerra de preços foi também alimentada pelas capacidades excessivas crónicas: cerca de 20% na Volkswagen e 15% na Renault, por exemplo. De modo a não suportar os encargos fixos das suas linhas de montagem, os construtores são obrigados a manter um nível mínimo de vendas, conseguido através da redução dos preços, ou então fechando temporariamente as linhas.

· Normas ambientais: deverão continuar a endurecer. Para alem das normas Euro 4 (redução das emissões poluentes), recentemente em vigor, as Euro 5 (severas para as motorizações a diesel), previstas para o final da década, e Euro 6, a mais longo prazo, estão já a ser estudadas. Isto irá provocar um aumento importante dos custos para os construtores e nos preços das motorizações a diesel. Para a Peugeot, a norma Euro 4 penalizou o lucro operacional da actividade automóvel em cerca de 97 milhões de euros em 2005 (10% do total), valor que deverá subir para os 250 milhões em 2006 (15 a 20%).

 

Que respostas?

Face a estes desafios, as respostas parecem tímidas. Para responder à dispersão da procura, os construtores multiplicam os modelos, nomeadamente apostando nos todo-o-terreno, nos descapotáveis ou nos desportivos, que têm margens superiores. Projectos de viaturas menos poluentes estão na calha, mas avança-se com prudência. Apesar dos rumores, o fecho de fábricas não parece estar à vista, por razões políticas e sociais. No entanto, os objectivos de margens até 2008 de alguns nomes importantes, como a Fiat, a VW ou a Renault, parecem-nos muito optimistas. Nós estamos mais prudentes nas nossas estimativas.

 

Conclusões

Os resultados de 2005 recentemente publicados pelos construtores testemunham as dificuldades encontradas para relançar, de uma forma duradoira, as vendas e a rentabilidade. Deste modo, acreditamos que é indispensável uma reestruturação mais ambiciosa no sector automóvel, tendo em conta os problemas de sobrecapacidade e guerra de preços num clima de procura estável a longo prazo na Europa. Tendo em conta estas perspectivas e a nossa avaliação, o sector como um todo não nos parece interessante. De resto, o rendimento do dividendo é pouco elevado (2,6% em média). Contudo, alguns valores foram exageradamente penalizados pelos investidores.

 

Peugeot Citroën

Apesar dos resultados decepcionantes, em 2005, e de um ano 2006 que se perspectiva medíocre, o grupo mantém-se afastado das reestruturações e continua a apostar em novos modelos, que terão impacto, sobretudo, em 2007. Medidas mais incisivas, que não estão excluídas, poderão ser necessárias. Em todo o caso, o grupo é bem gerido e a acção está barata. Compre.

 

PEUGEOT
 (em euros)

 

 

 

Volkswagen

Os resultados do quarto trimestre de 2005 confirmaram a recuperação do grupo. Mas o ritmo continua demasiado débil, dadas as pressões da concorrência. Irá reduzir 20.000 unidades de postos de trabalho: saídas voluntárias, venda de actividades periféricas… mas sem fechar fábricas. Objectivo: reduzir capacidade produtiva excedentária e o custo do trabalho. Estas medidas são tanto mais indispensáveis dado que a renovação das gamas nos parece, actualmente, menos dinâmica. No entanto, a cotação não incorpora totalmente o potencial do título. Compre.

 

VOLKSWAGEN VZ
 (em euros)

 

 

 

BMW

A BMW continua fiel ao que lhe deu notoriedade: o segmento de gama alta. Apesar da concorrência, acreditamos que a BMW continuará a ser uma marca de referência. O que deverá suportar a sua rentabilidade. Mas a cotação já incorpora estas perspectivas. Pode manter.

 

DaimlerChrysler

As eliminações de postos de trabalho estão no centro da reestruturação da Mercedes. Além da redução de custos, a administração procura incutir maior capacidade de reacção ao grupo e irá diminuir a participação na EADS, registando uma mais-valia de cerca de 1 euro por acção. Os primeiros resultados desta estratégia são promissores. Mantenha.

 

Fiat

Após o sucesso do seu plano de redução de custos, a Fiat aposta agora na reconquista da quota de mercado perdida nos anos anteriores através do rejuvenescimento da sua gama. Pode manter.

 

SAG

Uma nota ainda para a SAG, (texto na pág. 3 ) importador exclusivo do grupo VW em Portugal, com excepção da SEAT. A aposta progressiva nos serviços é positiva e, a prazo, deverá impulsionar os lucros do grupo. Pode manter.

 
 


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Cotação
0.95 EUR

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Avaliação
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Lucro corrente


Lucro corrente: resultado de exploração (volume de negócios menos custos) mais
resultado financeiro (diferença entre os juros recebidos e os juros pagos), antes
de impostos e de resultados extraordinários (mais-valias não recorrentes,
amortizações excepcionais…).

 



Margem de exploração

A margem de exploração determina-se dividindo o resultado operacional pelo volume de negócios e multiplicando por cem.
O volume de negócios corresponde ao valor das vendas de bens e serviços.
O resultado operacional obtém-se deduzindo ao volume de negócios todos os custos de exploração.


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