Repsol YPF 14/06/2005
· Petrolífera –
Energia
· Bolsa de Madrid
· 20,29 euros
A crise política e social que agita actualmente a Bolívia,
importante produtor de gás, não ajuda aos negócios da Repsol YPF. Numa altura em
que foi criada uma nova taxa sobre os hidrocarbonetos, os opositores ao poder
reclamam a nacionalização pura e simples do sector da energia. Isto tempera as
ambições da Repsol em desenvolver-se neste país, que representa 9% da sua
produção e 26% das reservas provadas de hidrocarbonetos. Deste modo, este é um
novo golpe duro para a Repsol que sofre ainda com as consequências da crise na
Argentina. E os objectivos pouco convincentes apresentados pelo grupo para o
período 2005-09 assim o atestam. Como consequência do menor investimento no
passado, a produção de hidrocarbonetos não deverá crescer, em média anual, mais
do que 2,6% entre 2005 e 2009, um nível inferior à maior parte dos seus
concorrentes. Além disso, a renovação de reservas anuncia-se arriscada, apesar
do aumento dos investimentos. A reorganização geográfica será assim lenta e
difícil, deixando a Repsol à mercê de eventuais alterações regulamentares na
Argentina, na Bolívia e no Brasil. Estes três países deverão ainda representar
cerca de 70% da produção e 63% das reservas do grupo em 2009 (contra,
respectivamente, 74 e 75% actualmente). De modo a tranquilizar os seus
accionistas, a administração irá aumentar o dividendo no decurso dos próximos
anos. Contudo, o rendimento do dividendo deverá continuará a ficar aquém do
oferecido pela concorrência.
Apesar dos esforços louváveis, a nova administração não terá uma
tarefa fácil para melhorar a performance do grupo em virtude das dificuldades a
montante e a uma pressão regulamentar acrescida na América latina. Assim,
estimamos para 2005 um lucro por acção de 2,25 euros e de 2,1 euros para 2006. A
acção está correctamente avaliada, mas as perspectivas são frágeis. Não compre.


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