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Seminário: Produtos Financeiros (30/04/2008)
A DECO quer informação transparente e supervisão
atenta da publicidade a serviços financeiros. Assista ao vídeo do seminário que
a associação promoveu a 11 de Abril, no Centro Cultural de Belém.
Em 2007, a associação para a defesa do consumidor recebeu 9000 denúncias
sobre serviços financeiros, a maioria devido a falta de informação, contratos
pouco claros e publicidade enganosa. Os ICAE ou instrumentos de captação de
aforro estruturado e os depósitos com super taxas de dois dígitos no nome do
produto estão entre os maus exemplos: induzem os consumidores em erro e
dificultam a comparação com os restantes produtos disponíveis no mercado. Para a
DECO, urge regulamentar esta matéria, proibindo a indicação de outra taxa no
nome do produto que não a anual efectiva líquida. Só esta reflecte o que o
consumidor efectivamente recebe. Em aplicações até um ano, deverá ser indicada a
taxa anual nominal líquida.
Melhorar a concorrência Os produtos do Estado, como os
certificados de aforro, obrigações do tesouro e certificados de reforma,
concorrem com os disponibilizados por entidades privadas. Como tal, deveriam
estar sujeitos às mesmas regras de informação, fiscalidade e respeito pela
concorrência, o que nem sempre acontece. A alteração das características de um
produto “a meio do jogo” e as isenções fiscais que deturpam a concorrência são
algumas das críticas a apontar. As entidades reguladoras competentes, como a
Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Banco de Portugal e Instituto de
Seguros de Portugal, devem fiscalizar os produtos do Estado em igualdade de
circunstâncias com os privados.
Publicidade mais informativa No seminário organizado pela
associação, Vítor Constâncio defendeu que o portal do cliente, lançado
recentemente pelo Banco de Portugal, e a directiva sobre práticas comerciais
desleais ajudarão a travar abusos. Mas os bancos são os primeiros a reconhecer a
importância de uma regulação mais eficaz em matéria de publicidade. “As
instituições financeiras tendem a ir para além do razoável, para não perderem
quota de mercado. Só com regulação colectiva se conseguirá obrigá-las a fazer
publicidade mais informativa e menos persuasiva”, admitiu Silva Lopes, antigo
presidente do Montepio.
Informação acessível e simplificada A complexidade da
informação é apontada como outro entrave à contratação de produtos financeiros,
dentro e fora do País. Só assim se explica que apenas 1% dos 500 milhões de
consumidores da União Europeia arrisque investir além-fronteiras. Segundo
António Vitorino, antigo comissário europeu para os assuntos internos, não é
fácil inverter a tendência, até por questões culturais e da língua, mas a
solução passa por uniformizar o conteúdo dos contratos nos Estados-membros.
No ano em que a DECO elegeu os serviços financeiros como prioridade, a aposta
é informar melhor os consumidores sobre investimentos e ajudá-los a escolher o
mais adequado ao seu perfil. As publicações e o portal da associação na Net dão
uma ajuda útil. Mas “é preciso um esforço conjunto dos bancos, Governo e
entidades supervisoras”, defendeu Pedro Moreira, director da DECO PROTESTE.
Para a DECO, a criação de uma ficha única de informação, com dados sobre a
segurança, liquidez e rentabilidade efectiva das aplicações, entre outras, é
essencial para aumentar a transparência no sector e ajudar os consumidores a
fazerem escolhas mais conscientes.
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