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Estudo de 2006/2007
 

 

Conclusões

Como se constata na figura 1, os resultados não foram muito brilhantes, com a maioria das empresas a obter classificações medianas. A nota média foi de apenas 5,4 pontos! Aliás, o facto de menos de metade das empresas terem respondido ao questionário é elucidativo da falta de empenho no bom Governo das Sociedades.

1. CLASSIFICAÇÕES
(em % do total)

 

Portugal aquém da média
O nosso estudo também confirmou que o nível de Governo das Sociedades varia de país para país (ver figura 2).
Dos mercados mais representados, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha obtiveram os melhores resultados, mesmo assim ainda longe da pontuação máxima. No caso das empresas nacionais, o resultado médio (5 pontos) coloca-nos aquém da média geral em termos de Governo das Sociedades.
Numa análise mais detalhada, constata-se que o critério referente ao conselho de administração é aquele em que as empresas nacionais têm piores resultados (em média, apenas 2,9 pontos), porque, por exemplo, a presença de administradores independentes ainda é pouco comum em Portugal.
Já no que concerne aos direitos dos accionistas, conseguem superar a média geral, 6,6 contra 5,2 pontos. Neste caso, as empresas beneficiam com os requisitos impostos pelo nosso Código das Sociedades Comerciais.

2. MÉDIAS POR PAÍS
(pontuação máxima de 10)


As melhores
Como pode ver no quadro seguinte, onde incluímos o top 10, o primeiro lugar do estudo coube à empresa de distribuição alemã Metro. Por cá, em termos individuais, destacaram-se a Cimpor (40.º), BES (76.º) e Jerónimo Martins (97.º) ao ficarem no top 100 das empresas abrangidas no estudo.

AS 10 MELHORES

Empresa

(1)

(2)

(3)

(4)

Metro AG

9,3

9,1

9,3

9,3

Sacyr Vallh.

8,7

10

9,3

9,3

Indra Syst.

8,7

9,1

9,3

9,0

Vodafone

8,0

10

8,4

8,7

Intel

8,7

10

7,6

8,7

Umicore

8,0

8,2

8,6

8,3

Software AG

9,3

7,3

7,5

8,2

BT Group

8,0

8,2

8,4

8,2

Vedior

8,0

7,3

9,1

8,2

Texas Inst.

8,0

9,1

7,6

8,2

Média

5,2

5,0

5,9

5,4

(1) Direitos dos accionistas;
(2) Funcionamento do Conselho de Administração;
(3) Transparência;
(4) Classificação final.

As piores
A espanhola Zeltia ficou no último lugar com apenas 1,1 pontos, mas o final da tabela inclui empresas bem conhecidas como a suíça Swatch, a alemã Porsche ou a francesa Michelin.
Entre as piores empresas portuguesas em termo de Governo das Sociedades, temos, por exemplo, a EDP (379.º), a Portugal Telecom (421.º), prejudicadas pela existência de direitos especiais do Estado português. A “pior” empresa nacional foi a Estoril-Sol (434.º).

AS 10 PIORES

Empresa

(1)

(2)

(3)

(4)

Pernod Ricard

1,3

0,9

4,1

2,2

Ses Global

-0,7

3,6

4,1

2,2

UCB

-0,7

4,5

2,7

2,0

Casino

1,3

1,8

2,8

2,0

LVMH

2,0

1,8

2,0

2,0

Swatch

-1,3

5,5

1,9

1,7

Mabuchi

0,0

2,7

2,4

1,6

Porsche

-0,7

2,7

2,4

1,4

Michelin

0,0

2,7

1,7

1,4

Zeltia

-1,3

1,8

3,0

1,1

(1) Direitos dos accionistas;
(2) Funcionamento do Conselho de Administração;
(3) Transparência;
(4) Classificação final.

 

9 Propostas para um bom Governo das Sociedades 2007

  • O princípio de uma acção, um voto deve ser sempre respeitado. Assim, devem ser eliminadas as golden shares e quaisquer limitações aos direitos de voto. Além disso, os estatutos da sociedade devem poder ser modificados por vontade dos accionistas sem requerer maiorias qualificadas especiais.

  • O Conselho de Administração deverá ser composto maioritariamente por membros independentes, não associados a nenhum grupo de interesses específicos na empresa. Por seu turno, as comissões de auditoria e de remunerações devem ser constituídas apenas por elementos independentes.

  • A remuneração do Conselho de Administração e dos principais dirigentes deverá ser aprovada em Assembleia-Geral e ser do conhecimento dos accionistas em termos individualizados e com discriminação das componentes fixa e variáveis.

  • O presidente da Comissão Executiva e o presidente do Conselho de Administração devem ser pessoas distintas.

  • O cargo de presidente da Comissão Executiva deverá ser objecto de um limite de idade e/ou de permanência.

  • Os auditores e as empresas de auditoria responsáveis pelas contas devem ser alterados periodicamente, e proibidos de prestar outros serviços, para evitar conflitos de interesses.

  • As despesas confidenciais devem ser eliminadas para promover a transparência das contas.

  • A participação nas Assembleias-Gerais deve ser gerida através da adopção de um sistema de Record Date (1), em vez do bloqueio de acções, para evitar a perda de liquidez em Bolsa dos títulos nas sessões anteriores às Assembleias-Gerais e promover a participação dos accionistas.

  • Os accionistas deverão poder expressar o seu direito de voto através da votação à distância, por correio e via Internet.

(1) Record date: sistema em que se define uma data de registo dos accionistas titulares das respectivas acções para lhes conferir diversos direitos, como o dividendo, independentemente de, na data do usufruto do direito, o accionista ainda ter, ou não, as suas acções.

 

Resultados

O GOVERNO DAS SOCIEDADES

Classificação

Empresa

País

Critério 1

Critério 2

Critério 3

Resultado final
(1)

Direitos dos accionistas

Conselho de administração

Transparência

1

Metro AG

DE

9,3

9,1

9,3

9,3

2

Sacyr Vallehermoso

ES

8,7

10,0

9,3

9,3

3

Indra Systems

ES

8,7

9,1

9,3

9,0

4

Vodafone

GB

8,0

10,0

8,4

8,7

5

Intel

US

8,7

10,0

7,6

8,7

6

Umicore

BE

8,0

8,2

8,6

8,3

7

Software AG

DE

9,3

7,3

7,5